O pequeno Povoado
O primeiro morador do território foi Gabriel de Souza, o qual obteve em 1860 do Governo Imperial o título
de "Senhor do Campo de Canela".
O nome da cidade provém de uma árvore, chamada de Canela, então localizada não longe do local onde está
atualmente a praça central da cidade, a Praça João Corrêa, esta caneleira servia de ponto de encontro e pousada de tropeiros.
O Coronel João Corrêa Ferreira da Silva foi o desbravador do povoado, construiu uma estrada de ferro, iniciando a obra por
volta de 1913 sendo esta concluída em 1925, ligando Canela a Taquara.
Em 1913, foi criada a "Companhia Florestal Riograndense", esta Companhia comprava pinheiros e terras nas redondezas do Caracol.
Para exploração desses pinheiros foram instaladas cinco serrarias. Foi contratado por esta Companhia o Sr.
Helmut Schmitt, prático em locação de estradas e instalações de serrarias, e por conta da Companhia Florestal, este
mandou construir diversas estradas, desde a localidade do Caracol até o Banhado Grande, Esteinho, Ferradura, Tubiana, etc.
Coronel João Correa.
Em 02 de março de 1926, Canela foi catalogada pela Lei Municipal nº 302 como sexto distrito de Taquara. O movimento
emancipacionista tomou maior vulto a partir de 1942. Em 28 de dezembro de 1944, pela Lei Estadual nº 717, foi criado o
município de Canela, tendo sido instalado a 01 de janeiro de 1945, sendo nomeado como primeiro prefeito o Sr.
Nelson Schneider.
O início do Turismo
Canela era um pequeno povoado, congregando famílias de fazendeiros de Cima da Serra, imigrantes alemães e
italianos e seus descendentes. Havia um início de atividades na Indústria, com a implantação de serrarias. Canela era
passagem obrigatória para as cidades de Cima da Serra com a capital do Estado. Passavam por Canela, tropeiros levando
gado, queijo e couro com destino a Parobé, Taquara, São Leopoldo e Porto Alegre. Subiam a Serra, os mascates para
colocarem seus produtos nas fazendas de Cima da Serra. Era o início do movimento turístico em Canela.
Com a industrialização da madeira, surgem os primeiros hotéis na localidade de Caracol, que atraem clientela da Capital do
Estado. Com o crescimento industrial floresce o comércio, e como conseqüência o movimento de pessoas. Houve necessidade de
criação de pensões e hotéis (denominados naquele tempo de "Casas de Pasto") para atender a demanda.
1º carregamento de madeira para exportação em 1949 (*)
A construção da Linha Férrea que ligava Canela a Porto Alegre foi o fator determinante para que Canela se constituísse
na época no maior centro de turismo do Estado. Naquele tempo, o movimento turístico era denominado "veraneio". As
famílias vinham principalmente de Porto Alegre e permaneciam num determinado hotel por períodos de um a três meses.
Para atender essa demanda, surgiram o Grande Hotel, Hotel Bela Vista, Hotel Central e Palace Hotel.
Trem no rabicho em Várzea Grande (*)
Em 1944, funciona um Cassino em Canela, em prédio provisório. Com o funcionamento do jogo são atraídos para Canela
turistas de grandes centros do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, e do exterior, Uruguai e Argentina. Os
hotéis mantêm lotação permanente. Há fortalecimento do comércio.
Hotel Werner no Caracol - 1921 (*)
Emancipa-se o município, e os dirigentes municipais voltam as suas preocupações para equipar o município com uma
estrutura turística para receber os visitantes. Surgem os eventos e festividades para dar ao turista maior opção e
lazer durante o seu "veraneio".
No decorrer de 1945, o Governo Federal proíbe o jogo no Brasil, o que significou um golpe fatal para o município de
Canela, que tinha a sua estrutura turística em função do jogo.
O fato da cidade estar localizada em uma área de serra lindíssima, rodeada de pinheiros, matas e parques, que
sobreviveram ao desmatamento, tornou o turismo a tendência natural de Canela. Somava-se, ainda, a esse cenário o
espetáculo da neve, que atraia pessoas dos mais diversos lugares desse Brasil tropical.
As baixas temperaturas estimulavam que as lareiras e fogões a lenha das casas permanecessem acesos, impregnando o ar com
aromas diversos de madeira, lenhas de pinho, eucalipto, e a própria Canela...
Mas não eram somente as belezas naturais e o clima os fatores de sedução para as pessoas.
A cidade oferecia e ainda oferece aos turistas bons hotéis, restaurantes, churrascarias e os famosos cafés coloniais,
com biscoitos waffles, schmiers, apfelstrudell e no inverno... tempo para o delicioso chocolate quente e licores
caseiros. A população de Canela sempre teve uma preocupação no seu desenvolvimento cultural. A música, a gastronomia, o
teatro foram capacitações desenvolvidas em várias gerações de imigrantes, que vivenciavam suas tradições em diferentes
formas de comunicação. Estas eram as heranças européias da Cidade. O seu diferencial no cenário do Brasil.
E assim, Canela veio exercendo grande fascínio sobre seus visitantes,tornando-se um dos mais importantes municípios no
contexto turístico e cultural da Região das Hortênsias. A indústria do Turismo é fascinante, mas, também, bastante
competitiva. Canela trilhou um longo caminho para chegar até aqui. E já tem uma história vitoriosa em seu meio século
de vida.
Só no ano de 1999,o turismo na região cresceu 60% , enquanto que no Brasil como um todo, o incremento foi de apenas 10%.
A cidade conseguiu desconcentrar o fluxo - anteriormente centrado no inverno - e hoje já tem um grande percentual de
visitantes durante o mês de dezembro, em função do evento Sonho de Natal e da Temporada de Verão.
Uma cidade que redescobriu seu rumo. Uma comunidade onde os cidadãos usaram o seu talento e espírito de união para
crescer e juntos criarem uma qualidade de vida ímpar em nosso país.